segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A história do Brasil a um palmo do chão

Novos ossos de escravos foram encontrados nas escavações feitas em frente ao Cemitério dos Pretos Novos na rua Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. 
rua Pedro Ernesto no Rio
O achado arqueológico aconteceu no meio do esforço de revitalização do centro do Rio e dá mais elementos para as pesquisas em torno do tema. 

Aproveitando-se as obras que já estão paralisando vários pontos do Centro do Rio, os arqueólogos isolaram a parte da rua na Gamboa , onde, no final dos anos 1990, foram encontrados restos mortais de escravos que morreram logo que chegaram da longa viagem nos navios negreiros.
Arqueólogos isolaram parte de rua no Rio em frente ao hoje Instituto dos Pretos Novos, centro cultural e de preservação da história da escravidão e dos negros. (Merced Guimarães dos Anjos)
O nome “pretos novos” definia os escravos recém chegados da África, que não sobreviviam ao suplício da viagem e morriam antes de serem comercializados, explica o historiador Julio Cesar de Medeiros. Ele estudou o local em uma premiada tese de mestrado.
A importância desse sítio arqueológico no Rio cresce a cada dia com o aumento dos estudos sobre a origem das pessoas escravizadas trazidas para o Brasil. Mas o local é desconhecido pela maioria da população brasileira. Ele nos revela sinais do estarrecedor passado em que a escravidão foi a base do trabalho e da economia por mais de 300 anos.
escavação
Esta é a primeira vez que a própria rua Pedro Ernesto, na Gamboa, é escavada. O historiador encontrou registros de que, no curto período de 1824 a 1830, 6.119 corpos foram jogados no local. E digo “jogados” porque eles não eram enterrados propriamente, eram descartados lá, e deixados insepultos ou apenas com um pouco de terra por cima. Até agora não foram encontrado corpos inteiros nas escavações feitas em outras partes do entorno. Uma das razões é que os ossos eram quebrados, às vezes queimados, para caber mais corpos no mesmo local.
A história do Rio, está em toda a parte, inclusive a alguns palmos abaixo do chão
A tese do professor Medeiros, que virou o belo livro “À flor da terra”, é um trabalho exemplar de investigação. O historiador encontrou os registros dos sepultamentos — ou “insepultamentos” — em antigo catálogos da Cúria Metropolitana do Estado.
Os negros recém chegados, em sua maioria, não tinham ainda nomes aqui no Brasil. Por isso o registro informa o porto onde a pessoa havia sido embarcada, a idade presumida, o navio que o trouxe e o nome do traficante. Dá para saber que havia muitas crianças. 
O catálogo analisado ponto a ponto pelo historiador trata apenas de 1824 a 1830. 
O cemitério funcionou ali desde o fim do século XVIII.
Esperamos que as escavações possam trazer novas informações sobre a escravidão no Brasil.

  
para saber mais acesse: http://www.geledes.org.br/novos-ossos-de-escravos-sao-descobertos-no-centro-rio-de-janeiro

por Roberto Andrade



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